ensino a distânciaCursar uma faculdade ou fazer um curso, sem sair de casa ou do trabalho, é uma das facilidades que a tecnologia vem proporcionando aos seus usuários. O mercado de trabalho e a profissionalização de pessoas que se adaptam à modernidade, está mais perto do que se imagina.

Conhecida como escola virtual, o Ensino a Distância (EaD) é uma modalidade de ensino que proporciona profissionalização para várias áreas do conhecimento e especialidades. Órgãos públicos e empresas particulares disponibilizam uma estrutura que atenda ou supere expectativas. Através de cursos de EaD, fica garantido uma certificação ou diploma que validam o comprometimento e desempenho do aluno.

A importância desse ensino começa a ser aceita em todo mundo e além de uma oportunidade para todas as classes sociais é, também, uma maneira de estar atualizado profissionalmente.

O seu maior benefício é a flexibilidade. É possível estudar em qualquer lugar e à qualquer hora. Outro ponto em destaque é a adaptabilidade. Para facilitar o acesso à Internet, muitas instituições possuem postos de atendimento, chamados de polos presenciais. O aluno, antes de fazer o curso, poderá passar por um teste para verificar se possui perfil EaD. Outra vantagem é o conhecimento prévio. O aluno poderá revisar os conteúdos, através da área virtual, e se preparar para as provas.

No Brasil, o Ensino a Distância sempre encontrou períodos de evolução para sua implantação. Primeiro, através das cartas por correspondência, aluno e professor interagiam. Nos anos 60, a televisão impulsionou o uso do EaD e, a partir de 1990, com a popularização da Internet, vários cursos a distância (graduação e pós-graduação) foram surgindo.

História do EaD

Ensino ou Educação a Distância é todo estudo que pode ser aplicado a qualquer nível de ensino e que possui uma estrutura adequada e planejada para ser disponibilizada para os interessados. Nele, professor e aluno se encontram em lugares diferentes e ocorre a transmissão dos conteúdos através de um meio de comunicação (CD, televisão, vídeo conferência, fax, telefone, internet, correio, rádio e outras tecnologias).

Desde o século XVIII, já se falava sobre o Ensino a Distância. Nos Estados Unidos, o primeiro curso chegava por correspondência, em 1728, chamado de taquigrafia. Mas vários estudiosos afirmam que, desde o século XV, ou mesmo na antiguidade, já existia essa comunicação educativa. A exemplo, temos as cartas de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, sobre a descoberta dos índios no Brasil, ou as cartas de Paulo, epístolas bíblicas enviadas para os cristãos.

Outros estudiosos acreditam que a origem da EaD iniciou-se com a criação da imprensa, pois antes, havia documentos que eram inacessíveis à plebe e apenas a Corte teria acesso a eles. Apesar disso, um marco que destacou a criação do EaD aconteceu em 1883, com barateamento do material impresso e dos Correios. Cursos foram surgindo e, nessa época, cursos por correspondência foram autorizados. Assim, o estado de Nova Iorque reconheceu e aceitou os diplomas desse método, no Chatauqua Institute.

Mesmo com as diferentes abordagens citadas em artigos, por estudos e estudiosos (João Roberto Moreira Alves, Michel G. Moore e Greg Kearsley, Ivônio B. Nunes, Borge Holmberg, Oreste Preti e outros) sobre as origens do surgimento do EaD, a história aponta a importância da Universidade Aberta da Inglaterra (Open University), em 1969, como um exemplo de sucesso do Ensino a Distância, integrando impresso, rádio, televisão e contato pessoal.

No início do século XX, apareceram vários cursos a distância na Rússia e em universidades americanas (Wisonsin, Oregon, Nebraska, Texas, etc.). Os principais eram de extensão universitários ou técnicos. Mesmo com a popularização, haviam pessoas que discordavam desses cursos e eles não tiveram uma experiência prolongada.

A intenção foi atender uma parcela da população atarefada, sem tempo para usufruir dos ensinos tradicionais, como os adultos, as mães, donas de casa, professores, etc., essencial para suprir essas necessidades.

Num primeiro momento, o Ensino a Distância era feito somente por meio da comunicação escrita. O uso da carta conectava o emissor ao receptor, distantes geograficamente. Depois, tiveram como apoio não somente o material impresso, mas as tecnologias de áudio e vídeo.

Após isso, e à medida que a tecnologia foi evoluindo, eram utilizados meios de telecomunicações/satélite, cabos ou linhas ISDN (Integrated Services Digital Network) ou Rede Digital de Serviços Integrados (RDSI) para transmissão do conteúdo.

A partir daí, o ensino começou a se tornar flexível com o uso do computador. Hoje, a Internet está em destaque. Com ela, e as outras tecnologias incorporadas a EaD, o estudante possui uma autonomia para decidir diversas questões relacionadas ao seu estudo. O EaD está em sua 5ª geração, utilizando recursos cada vez mais avançados e integrando diferentes meios de comunicação e processos.

Ensino a Distância no Brasil

Marcos importantes do EaD

  • 1904 - Instituições privadas internacionais ofereciam cursos por correspondência;
  • 1934 - A Rádio-escola Municipal do Rio de Janeiro disponibilizava folhetos, apresentações no rádio, esquemas de aula e cartas;
  • 1939 - Com a criação do Instituto Rádio Monitor o Ensino a Distância era feito através de folhetos;
  • 1940 - O Instituto Universal Brasileiro, em São Paulo, uma das mais antigas, em termos de cursos via correio, começou a desenvolver estudos sobre o Ensino a Distancia;
  • 1941 - É criado oficialmente o Instituto Universal Brasileiro. Nesse mesmo ano, houve a criação da Universidade do Ar (para professores iniciantes), eles transmitiam a informação por meio de folhetos e do rádio;
  • 1947 - A Universidade do Ar, em São Paulo, criada pelo Sesc e Senac com a colaboração de emissoras, é destinada a oferecer cursos de treinamento para comerciantes e empregados;
  • 1957 - O sistema Radioeducativo Nacional utilizava como recurso o rádio;
  • 1961 - Surge o Movimento Nacional de Educação de Base, uma rádio que era supervisionada periodicamente;
  • 1964 - O Ministério da Educação (MEC) começa a reservar canais de TV para conteúdos educativos;
  • 1970 - Criação da Fundação Roberto Marinho, com a TV, o rádio e materiais impressos e o Projeto Minerva (transmitido nacionalmente através do rádio).

Nos anos 80, diversas universidades brasileiras já começam a disponibilizar esse tipo de estudo através de diferentes tecnologias. Veja no tópico Ensino Superior a Distância. Nos anos 90, essa universidade virtual já utilizava as Tecnologias de Comunicação e Informação (TIC), tendo como principais meios a Internet e a videoconferência. Em 1996, o Ensino a Distância ou EaD foi oficializado como uma modalidade aceita e adequada a todos os níveis de ensino, exceto Mestrado e Doutorado.

A Secretaria de Educação a Distância (SEED) foi oficializada pelo decreto nº 1.917. É por meio dessa Secretaria que o Ministério da Educação (MEC) monitora, inova, incorpora novas tecnologias e técnicas relacionadas à Educação a Distância, no Brasil. Houve, com ele, a criação de um canal, chamado TV Escola, e em, 1997, o Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo) com objetivo de disponibilizar computadores em escolas públicas de ensino básico. Nesse mesmo ano, o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) já era utilizado por Universidades e centros de pesquisa.

Além disso, há vários programas feitos pelo SEED e um deles é a Universidade Aberta do Brasil (UAB), um sistema integrado de universidades públicas com o objetivo de oferecer ensino superior e cursos para atualização profissional de indivíduos já graduados ou pessoas comuns através do Ensino a Distância. Professores, dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica possuem prioridade no ensino.

A partir daí, outras instituições surgiram com o intuito de garantir o ensino brasileiro temporário de crianças que se mudavam para o exterior. Outra utilidade do Ensino a Distancia surgiu em meio a Segunda Guerra Mundial, para crianças que tinham que mudar constantemente.

Desde aquela época, um dos desafios da Educação a Distância era construir um ambiente atualizado, capaz de alinhar os seus métodos com o sistema de educação moderno.

Vantagens do EaD

  • Flexibilidade – os alunos podem decidir o dia, horário e ritmo de estudo. Disponível para alunos que não podem frequentar os locais de ensino tradicional.
  • Presença não obrigatória – não é uma exigência, como no ensino tradicional. No Brasil, o aluno deve ter, no mínimo, 75% de presença obrigatória. Caso contrário, poderá ser reprovado.
  • Mobilidade – esses cursos são capazes de ir a lugares isolados e para populações com uma renda baixa.
  • Autonomia – é possível ter independência no estudo, quer seja individual ou em grupo.
  • Tecnologia e contato entre professor e aluno – se disponibilizado de maneira correta, esse ensino, através de tecnologias como: telefone, microfone, vídeoconferência, etc., poderá facilitar a forma com que aluno e professor mantêm contato. 
  • Programas Híbridos – significa um estudo por meio de aulas presenciais e recursos tecnológicos.
  • Atualização – o aluno poderá melhorar o seu currículo e se atualizar profissionalmente.

Desvantagens do EaD

  • Flexibilidade – para alunos que não possuem independência nos estudos, correm o risco de não ter os mesmos cuidados que, geralmente, teriam no método de ensino tradicional. Há também, uma desvantagem para as instituições, que muitas vezes, se não programarem, terão dificuldade em atendê-los em todas as questões referentes ao estudo. Obs.: Estudar a distância requer do aluno disciplina e determinação, tanto dele, quanto do professor ou tutor.
  • Carência de professores e tutores – no Ensino a Distância, a falta de um tutor ou professor pode representar um problema para o aluno, se não for feito adequadamente. Ainda mais se ele não estiver adaptado ao ambiente de ensino virtual oferecido pela EaD.
  • Desistência – existe um alto índice de desistência para os cursos matriculados. Muitos se desanimam com a interface ou o curso não atende às suas expectativas.
  • Softwares e hardwares – para quem não é acostumado, os processos são um pouco mais complexos do que o ensino presencial. Em muitos cursos será necessário o aluno conhecer alguns recursos multimídia e ter um nível alto de compreensão dos textos, como no caso de intercâmbios a distância.
  • Limitações da Internet – pode acontecer pelo uso de uma internet lenta, cujos aplicativos são difíceis de ser instalados ou nos casos em que o computador está com uma versão antiga.

Associações e Instituições de EaD

Bibliotecas Virtuais

Há cursos que possuem biblioteca virtuais, uma lista com uma série de acervos de obras que irão auxiliar o aluno nos seus estudos. Todos os materiais são oferecidos de forma digital, para que o aluno possa posteriormente imprimi-los. Um exemplo de biblioteca virtual é o Domínio Público, criado em 2004, tem um acervo inicial de 500 obras.

Instituto Universal Brasileiro

Pioneiros em Ensino a Distância no Brasil, trabalham há mais de 60 anos com o objetivo de disponibilizar e preparar a todos os tipos de profissionais aos mais variados campos do saber, como cursos profissionalizantes, técnicos e supletivos. O estudo é levado diretamente para aqueles que não têm disponibilidade de frequentar escolas regulares.

Associação Brasileira de Educação a Distância

A Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) oferece uma lista com cursos abertos ao público em geral. Para se tornar associado é necessário preencher um cadastro escolhendo o tipo de associado que você deseja ser.

Telecurso

Fundado em 1978, e inicialmente chamado de Telecurso 2º Grau, a Fundação Roberto Marinho e a Fundação Padre Anchieta fizeram um convênio para divulgar o projeto. Foi o primeiro programa da TV Globo utilizado para fins educativos.

Através da televisão eles utilizaram o projeto para um tipo de Educação a Distância. Depois, criaram o Telecurso 1º Grau (1981), com a Fundação Bradesco, o apoio do MEC e da Universidade de Brasília. Logo, em 1994, criaram o Telecurso 2000, um programa voltado a milhões de brasileiros que não teriam concluído o ensino Fundamental e Médio. O projeto foi um sucesso. Atualmente, o programa é chamado de novo Telecurso (2006) e é reconhecido em todo o mundo pelo seu padrão de qualidade e eficiência.

Outros programas

O Progestão (Programa de capacitação a Distância para Gestores escolares) é um programa que surgiu na década de 90, a partir da necessidade de um grupo de Secretários de Estados da Educação. O objetivo de seu estudo é propor um modelo de ensino focado no desenvolvimento do aluno.

O Consed (1986 - Conselho Nacional de Secretários de Educação) é uma instituição ligada às Secretarias de Educação do Distrito Federal e demais Estados e tem o objetivo de promover uma educação de qualidade.

O Proformação (1999 - Programa de Formação de Professores em Exercício) um curso de nível médio com habilitação para Magistério. É feito a distância e é oferecido pelo Ministério da Educação, em parceria com o governo Municipal e Estadual. Os professores que precisam do curso irão lecionar nas séries iniciais, alfabetização ou EJA (Educação de Jovens e Adultos).

A Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica (2004) – essa rede destina-se a melhorar a formação de professores e alunos de forma que eles possam estar sempre se atualizando. Ela é composta por várias Universidades que atuarão com a rede pública de ensino para dar assistência aos professores. O MEC dará apoio a todo material e cursos a distância, entre outros programas.

E-learning

Transmissão do conhecimento através de meios eletrônicos online ou multimídia. Essa transmissão pode ser pela intranet ou internet. Um exemplo disso é encontrado nas empresas, um tipo de educação corporativa, em que os funcionários podem se atualizar em relação às novas tendências que chegaram no mercado, por meio de um curso virtual. Faz-se a inscrição e obtendo login e senha, é possível ter acesso a todo o conteúdo do curso.

Intercâmbio EaD

Intercâmbio EadViajar para o exterior a fim de buscar qualificação, hoje, pode não ser mais uma barreira. Muitos fazem planos de cursar um Mestrado no exterior, mas nem sempre as responsabilidades da sua terra natal permitem que essa viagem seja feita. O intercâmbio EaD é feito por instituições internacionais através de estudos, atividades e alguns contatos pela Internet.

O aluno também terá que cumprir uma carga horária presencial, se for o caso, e viajará para o país selecionado. Para que esse tipo de método tenha mais garantia, é necessária muita pesquisa, ver como são os créditos que o aluno poderá adquirir na instituição, fazer uma negociação e, se possível, concorrer a uma bolsa de estudos para diminuir alguns gastos que se poderá ter na apresentação de sua tese para a conclusão do curso.

Há casos onde o aluno não necessita ir para o exterior: ele poderá concluir o seu curso através das embaixadas, consulados ou órgãos relacionados à instituição. Ou até mesmo, se houver convênio com alguma instituição brasileira.

Nos pré-requisitos, é preciso ter conhecimento avançado do idioma para se comunicar melhor com professores e colegas. Outra questão é fazer com que seu diploma seja validado no Brasil e é preciso se atentar a qualidade do curso e da faculdade para serem aceitos mundialmente. Veja abaixo, algumas Universidades no exterior que oferecem EaD para estrangeiros:

  • Espanha: Universidad Nacional de Educacion a Distancia (UNED) - graduação, especialização, MBA, pós-graduação e curso de língua.
  • Reino Unido: Open University United Kingdon - graduação, pós-graduação e extensão.
  • Estados Unidos: American World University / Harvard - graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado/ mais de 100 cursos online.
  • Portugal: Universidade Aberta de Portugal - licenciatura, mestrado, doutorado e especialização.